domingo, 19 de maio de 2013

O Tempo...

Ao meu querido pai, que deixou saudades...

Dentre tantos mistérios experimentados, o “tempo” é o mais tímido, discreto e infalível companheiro que nos foi enviado por Deus. Ele sorrateiramente nos acompanha, sempre tentando se esconder, procurado fazer-se passar despercebidamente por nossos olhares apressados.Numa tentativa vã de nos fazer crer ser ele mera ilusão.Ele está implícito em nós.Somos também o tempo...

Igualmente possui o “tempo”, missão divina, pedagógica e natureza contraditória. Muitas vezes é remédio, outras é fardo. Encontra-se disfarçado em nosso relógio biológico, oculta-nos seu conteúdo. Nosso tempo biológico já está previamente determinado aqui na terra, sem apegos a momentos precisos.

É óbvio que esta nossa estada pode possuir maior ou menor dimensão, dependendo de agentes externos ou se nossa conduta é ou não cercada de cuidados próprios. Mas, se eventualmente, com muita sorte, conseguirmos integralmente cumprir até o final a tão almejada jornada, e o relógio finalmente despertar, anunciando o inexorável fim, os fardos do término, poderão ser bem mais amargos do que o choro da chegada, caso a plena sabedoria não seja alcançada. Percebo que não é o tempo que passa, somos nós que passamos... Porém, muitas vezes o fim, chega antes do despertar final do relógio, o que torna tudo mais sofrido.

Sejamos portadores de muito amor e respeito aos que conseguiram cruzar todo o caminho da existência terrena, culminando com a exaustão do corpo físico, posto que é frágil e perece, permanecendo somente com a inteireza da eternidade da alma.Numa transição difícil de aceitar e entender.Jesus Cristo(),por nos amar infinitamente, cumpriu a mesma regra temporal.Viveu como nós a sua missão terrena, que consumou-se aos 33 anos de idade.Por sua obra,sacrifício, graça e imenso amor, tivemos  a oportunidade de estarmos aqui e termos o direito de alcançar uma vida plena ao término de nosso difícil aprendizado.Digo difícil, pois o alimento que realmente pode fortalecer a nossa alma(que não está subjugada as limitações do fim), é conseguir enxergar o invisível.E mais, da maneira correta.
  
Conseguir enxergar a nós e a nossos semelhantes além daquilo que o espelho reflete é um de nossos maiores desafios. Tentamos buscar o essencial, mas sempre partimos para o supérfluo. Enquanto o correto seria o contrário. Porém, chega uma “determinada hora”, que nada disso tem mais valor... Termina a hegemonia do espelho e das vaidades. O tempo configurado em matéria, já é findo. O que resta, é um sopro de vida buscando agarrar-se à eternidade.  

Não somos afeitos a enxergar o que não se reflete através de um espelho... Temos um aprendizado limitado ao que é material. Por isso as religiões são tão imprescindíveis à uma formação completa.Quando tudo e todos nos faltam é a Deus que recorremos. 

Aparentemente entramos no mundo sem aprendizado algum, mas claro que trazemos conosco os frutos de nossa essência divina. Aprender a conhecer nossa alma, nossa consciência deveria fazer parte da rotina de formação da pessoa humana.O dia que uma didática mais ampla, for colocada em prática, conseguiremos obter um ser humano mais sensível, que consegue se colocar no lugar do outro, e consequentemente um mundo melhor. Somos cotidianamente induzidos a valorizar apenas aquilo que o espelho pode detectar ou refletir .E pior, muitas vezes sem qualquer tipo questionamento.

Porém, muitas coisas preciosas, são imperceptíveis aos espelhos. Utilizo a metáfora do espelho de uma forma bem ampla, não me limito a me referir apenas ao que ele reflete ,mas também ao que não consegue captar. As crianças deveriam desde cedo aprender além das matérias didáticas, também de forma honesta, as linguagens mais sutis. Tecnologias da alma humana... Buscamos um mundo pautado no que não se vê: amor, justiça, paz, igualdade, verdade, lealdade, amizade, respeito, coragem, etc., porém ,na prática, supervalorizamos o lado material(ter),em detrimento do espiritual(ser), acreditando que os fins justificam os meios. Muitas vezes nos esquecemos de Deus. Ser gente é difícil e complexo demais... Não se pode ser gente só pela metade.

Não pretendo ser hipócrita comigo mesmo, tentando crer que o lado material deva ser desprezado. Evidentemente que não!Mas, a valorização de somente uma das partes que compõe a pessoa humana, em detrimento da outra de igual valor,vai fazer dela um ser capenga, sem brilho e luz.

Me desviei um pouco do tema, fazendo algumas considerações, mas agora retorno: às vezes penso que somos o próprio tempo que buscamos. Que não é ele que passa, apenas temos essa impressão. Por sermos dinâmicos e fugirmos às regras da estática, somos nós que passamos, pois, a vida é ritual de passagem. Viver é passar... Tudo o que é estático não percebe o tempo...Vez em quando, tenho a nítida impressão de que não estamos juntos no mesmo “tempo”, mas sim no mesmo “espaço”, onde todas as coisas acontecem e se configuram.

E o que denominamos como “tempo”, socialmente falando, seria a forma de nos organizarmos e não nos perdermos dentro do espaço físico. Seria uma questão meramente organizacional.

Pois o verdadeiro “tempo”, que está implícito em nossa própria existência, evolução e  presença no planeta, que encontra-se  inserido dentro de nós, tem uma natureza processual, podendo ser interrompido por fatores externos ligados ao livre arbítrio humano ou agentes ligados às forças da natureza e ao enigmático princípio da fatalidade.

Como disse, é impressão, nada comprovado. Tudo mistério... Mera ficção, fruto de meus devaneios, na tentativa de explicar o inexplicável, face ao desconforto pela falta de conhecimento sobre a verdade, ou pretensão de tentar explicar tudo. Ficando em mim a vaga ideia de que o tempo de vida, seria apenas um “processo”, dentro da imensidão do que acontece com tudo que vive, é consciente, fruto da criação divina.

Ah! O tempo... Tentamos driblar esse misterioso companheiro de várias formas, acho muito interessante o “paradoxo dos gêmeos”, brilhante investida da ciência, na tentativa de tirar o véu que encobre o rosto desse ser, que nos envolve incansavelmente. Aliás, a própria ciência vive se atualizando e modificando suas regras.

A consciência de nossa total fragilidade, a queda de todas as vaidades e arrogâncias, também dos apegos, nos chegam, como prenúncio de que o instrumento que aponta o tempo final, irá em breve  anunciar o término daquilo que conhecemos como vida.Creio que nessa hora, o que vale é o amor que temos no coração, pois esse é o único patrimônio que jamais nos abandona.O bem que fizemos, que sempre retorna em forma de bênçãos, acrescido da certeza de haver cumprido com honestidade a missão que nos foi confiada por Deus, e a certeza de nossa aliança com Ele.Todo o resto foi aprendizado e prova.Prova de que?Também é segredo...

Se cumprimos bem nossa missão ou não, após o toque derradeiro do relógio da existência, que a todos nós um dia chegará, finalmente saberemos.Tenhamos então a consciência tranquila. Ela não é imprescindível somente para podermos viver bem, com qualidade. Um dia, certamente, ela poderá ser instrumento para nossa salvação.O que sabemos com certeza, é que após o despertar final para quem amamos, a saudade passará a ser nossa companheira mais constante e inseparável. Por isso devemos valorizar e agradecer a Deus o milagre diário de podermos desfrutar a vida, ao lado das pessoas que amamos.
Wanda.





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